O Tesouro Direto consolidou-se como a porta de entrada para milhões de brasileiros que buscam sair da poupança e entrar no mundo dos investimentos de renda fixa. Criado em 2002 por meio de uma parceria entre o Tesouro Nacional e a B3, este programa democratizou o acesso aos títulos públicos federais, permitindo que pessoas físicas invistam a partir de valores acessíveis, como aproximadamente R$ 30,00.
Ao aplicar no Tesouro Direto, o investidor está, na prática, emprestando dinheiro para o Governo Federal. Em troca desse empréstimo, o investidor recebe uma remuneração que varia conforme o título escolhido. Por ser garantido pelo Tesouro Nacional, este é considerado o investimento de menor risco de crédito em todo o mercado financeiro nacional, oferecendo ainda a vantagem da liquidez diária.
Neste guia, vamos explorar como funciona a dinâmica de preços, os prazos de liquidação e as estratégias para cada perfil de investidor.

Como funciona a dinâmica do Tesouro Direto
Embora o portal do Tesouro Direto funcione 24 horas por dia para consultas e extratos, as operações de investimento e resgate possuem horários específicos. As transações com preços e taxas do momento devem ser realizadas em dias úteis, das 9h30 às 18h. Fora desse intervalo ou em finais de semana, os preços aplicados serão os da abertura do mercado no próximo dia útil.
Uma das maiores evoluções recentes para o investidor foi a alteração no fluxo de liquidação. Atualmente, o resgate do Tesouro Direto é feito em D+0 para solicitações realizadas até as 13h em dias úteis. Isso significa que, se você solicitar a venda de seus títulos pela manhã, o dinheiro estará disponível em sua conta no mesmo dia. Para pedidos após as 13h, o crédito ocorre no dia útil seguinte (D+1).
Os principais tipos de títulos disponíveis
Para investir com estratégia, é fundamental entender que o Tesouro Direto oferece três categorias principais de títulos, cada uma indicada para um objetivo financeiro específico:

Tesouro Selic (Pós-fixado)
O Tesouro Selic é o título que acompanha a variação da taxa básica de juros da economia brasileira. É considerado o investimento ideal para quem está começando ou para a formação de uma reserva de emergência. Sua principal vantagem é o baixo risco em caso de venda antecipada, já que seu valor não sofre grandes oscilações de mercado (marcação a mercado) como os outros títulos.
Tesouro Prefixado
Nesta modalidade, a taxa de juros é combinada no momento da compra. O investidor sabe exatamente o valor que receberá no vencimento do título, o que o torna ideal para metas de médio e longo prazo onde se deseja previsibilidade. É uma excelente opção quando há expectativa de queda na taxa Selic no futuro.
Tesouro IPCA+ (Híbrido)
O Tesouro IPCA+ oferece uma rentabilidade composta por uma taxa fixa mais a variação da inflação (IPCA). Por garantir um rendimento sempre acima da inflação, ele protege o poder de compra do investidor ao longo do tempo, sendo o título mais indicado para aposentadoria ou investimentos de longuíssimo prazo.
Entendendo a rentabilidade e os riscos
Um ponto que gera dúvidas no Tesouro Direto é a diferença entre a rentabilidade contratada e a de mercado. Embora seja renda fixa, os preços dos títulos podem oscilar ao longo do tempo. O retorno contratado só é garantido se o investidor carregar o título até a data de vencimento; caso decida vender antes, a rentabilidade dependerá das condições de mercado no dia, podendo ser maior ou menor que a esperada.
Além disso, existem dois modelos de fluxo de pagamento:
- Tesouro Principal: O investidor recebe todo o capital e os juros apenas no vencimento do título.
- Juros Semestrais: O título paga cupons de juros duas vezes ao ano. Este modelo é mais indicado para quem já acumulou patrimônio e deseja usufruir de uma renda periódica, embora tenha uma incidência maior de Imposto de Renda devido à antecipação dos pagamentos.
Um ponto fundamental para o investidor estratégico é compreender que, embora o Tesouro Direto ofereça liquidez diária, as operações de resgate e investimento possuem janelas de horário específicas para garantir as taxas do momento. As transações realizadas em dias úteis, entre as 9h30 e as 18h, utilizam os preços e taxas vigentes no ato da operação. Caso a solicitação ocorra fora desse intervalo, em feriados ou finais de semana, o investidor deve estar ciente de que o preço aplicado será o da abertura do mercado no próximo dia útil, quando a operação será efetivada de fato.
Quanto à disponibilidade dos recursos, a carência é inexistente para a venda, mas o fluxo de liquidação depende do horário do pedido. Graças à modernização do sistema, resgates solicitados até as 13h em dias úteis contam com liquidação em D+0, ou seja, o crédito entra na conta no mesmo dia. Para solicitações feitas após as 13h, o prazo passa a ser de um dia útil (D+1). Essa agilidade transforma os títulos públicos, especialmente o Tesouro Selic, em uma ferramenta poderosa para quem precisa de acesso rápido ao capital sem abrir mão da segurança.
Tributação e Taxas do Tesouro Direto
Para calcular a rentabilidade líquida no Tesouro Direto, é preciso considerar os custos envolvidos. A tributação segue a tabela regressiva do Imposto de Renda para renda fixa:
- Até 180 dias: 22,5%
- De 181 a 360 dias: 20%
- De 361 a 720 dias: 17,5%
- Acima de 720 dias: 15%
Além do IR, existe o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para resgates feitos com menos de 30 dias de aplicação.
Em termos de taxas operacionais, a B3 cobra uma taxa de custódia de 0,25% ao ano sobre o valor investido. Vale ressaltar que existe uma isenção dessa taxa para os primeiros R$ 10.000,00 aplicados especificamente no Tesouro Selic. Muitas instituições financeiras também já não cobram taxas administrativas para investir no programa, o que ajuda a maximizar seus ganhos.

Conclusão e Próximos Passos
O Tesouro Direto permanece como uma das ferramentas mais poderosas para o planejamento financeiro, unindo a segurança do Estado à rentabilidade superior à de muitos produtos bancários tradicionais. Seja para sua reserva de oportunidade ou para o sonho da casa própria, entender as nuances de cada título é o que diferencia um poupador de um investidor de sucesso.
Um leitor compartilhou conosco que, após entender a dinâmica do Tesouro Selic, conseguiu organizar sua reserva e hoje sente a tranquilidade de ter liquidez imediata com segurança. Começar com pouco é o segredo para a constância.
Se você quer aprofundar seus conhecimentos em outros ativos de baixo risco, recomendo ler nosso artigo sobre estratégias de renda fixa ou entender como criar o hábito de investir de forma inteligente. Para dados oficiais atualizados, você também pode consultar o portal do Tesouro Nacional.
Qual o valor mínimo para começar a investir no Tesouro Direto?
O investimento mínimo é a fração de 0,01 (1%) do valor de um título, desde que essa fração respeite o limite mínimo de aproximadamente R$ 30,00. Por exemplo, se um título custa R$ 688,98, a fração mínima de 0,01 seria R$ 6,88, mas como o sistema exige o aporte mínimo de R$ 30,00, você precisaria comprar uma quantidade maior de frações para operar.
Como funciona o prazo de resgate (liquidez) do dinheiro?
Atualmente, o Tesouro Direto opera com liquidez D+0 para todos os resgates realizados em dias úteis até as 13h. Isso significa que o dinheiro cai na sua conta no mesmo dia. Para solicitações feitas após as 13h, nos finais de semana ou feriados, o crédito ocorre no dia útil seguinte (D+1).
Quais são as taxas cobradas para investir em títulos públicos?
Existem duas taxas principais: a taxa de custódia da B3, que é de 0,25% ao ano sobre o valor investido, e a taxa de administração da sua instituição financeira. Vale lembrar que a B3 oferece isenção da taxa de custódia para os primeiros R$ 10.000,00 investidos especificamente no Tesouro Selic.
Como incide o Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos?
O IR segue a tabela regressiva da renda fixa, diminuindo conforme o tempo de aplicação: 22,5% para até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; e 15% para prazos acima de 720 dias. O imposto incide apenas sobre a rentabilidade positiva.
O que acontece se eu não pagar uma compra agendada?
O descumprimento de uma compra gera suspensões graduais: na 1ª ocorrência, você recebe um alerta; na 2ª, fica impedido de investir por 15 dias; na 3ª ocorrência, a suspensão é de 30 dias; e a partir da 4ª, o impedimento é de 60 dias.
É garantido que receberei a rentabilidade contratada?
O retorno contratado no momento da compra só é garantido se o investidor aguardar até a data de vencimento do título. Caso opte por um resgate antecipado, a rentabilidade variará de acordo com as condições de mercado do dia (marcação a mercado), podendo ser maior ou menor que a contratada originalmente.
Posso reinvestir automaticamente meus cupons de juros ou resgates?
Sim, é possível configurar o reinvestimento automático tanto para o valor total quanto para uma parcela dos juros semestrais recebidos ou valores de resgate. Essa é uma excelente estratégia para potencializar os juros compostos em sua carteira.
